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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Biografia de Renato Russo


Renato Manfredini Júnior nasceu no Rio de Janeiro em 27 de março de 1960, filho do economista Renato Manfredini, funcionário do Banco do Brasil e de Dona Maria do Carmo, professora de inglês. Ele aprendeu inglês desde pequeno, quando morou, dos 7 aos 10 anos, em Nova York. Nova transferêcia do pai levou o menino, já com 13 anos, a Brasília que tanto marcou sua música. Renato teve uma infância e adolescência de classe média alta, típica do pessoal das bandas de Brasília. Entre os 15 e os 17 anos enfrentou várias operações e viveu entre a cama e a cadeira de rodas, combatendo uma doença óssea rara chamada epifisiólise.
Em 78, inspirado pelo Sex Pistols, Renato formou o Aborto Elétrico, que no vai e vem de integrantes, contou com participações de Fê e Flavio Lemos (depois do Capital Inicial), Ico Ouro Preto e André Pretorius. Em 82 abandonou o Aborto Elétrico e passou a fazer trabalhos solos. Neste período ficou conhecido como "O Trovador Solitário". Quando a lendária "cena de Brasília" já era uma força underground reconhecida, Renato Russo formou a Legião Urbana com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Um ano depois, Paraná e Paulista deixavam a banda e entrava Dado Villa-Lobos.
Quando Renato Rocha se juntou a banda em 84, a Legião Urbana já havia se apresentado diversas vezes em Brasília, notadamente nos célebres shows no Circo Voador, no Rio de Janeiro e no Napalm, em São Paulo. O sucesso de seus shows levou rapidamente a um contrato com a EMI-Odeon. No primeiro dia do ano seguinte saiu o primeiro álbum, Legião Urbana, que emplacou os hits "Geração Coca-Cola", "Ainda é Cedo" e "Será".
Com seus refrões poderosos e letras que falavam de inseguranças emocionais e do niilismo da geração crescida durante o regime militar, a Legião Urbana bateu fundo nos anseios dos jovens brasileiros. A receita foi aperfeiçoada no álbum seguinte, Dois, melhor tocado, melhor gravado e mais elaborado. Sucessos como "Eduardo e Mônica" e "Quase Sem Querer" falavam uma língua que qualquer jovem urbano brasileiro dos anos 80 podia entender e se identificar.
Dois consolidou Renato Russo como um dos maiores popstars do país. Já na turnê desse segundo disco, começou a aparecer o Renato Russo estrela: seus shows incluíam discursos pregadores (o adjetivo "messiânico" aparecia em nove entre dez matérias sobre o grupo) e um alto consumo de drogas e álcool.
Em 1987 sai terceiro álbum, Que País É Este, gerando hits como "Faroeste Caboclo", e mais uma turnê nacional abarrotada. Em 89, sai As Quatro Estações que inaugura a fase mais madura da banda, tanto no som, menos pop, como nas letras, abordando assuntos como AIDS e homossexualismo. Em "Meninos e Meninas", Renato sugere bissexualidade. Logo depois, numa história entrevista à revista Bizz, Renato confirmava o fato.
V, lançado em 91, veio carregado de uma tristeza que refletia a instabilidade emocional-psicológica vivida por Renato. A turnê que se seguiu teve que ser interrompida devido ao seu precário estado de saúde.
O Descobrimento do Brasil, de 93, acabou sendo o último disco da banda (A Tempestade, é um disco solo de Renato com participações de Dado e Bonfá). A partir de Descobrimento, Renato deu vazão a seus projetos solo e lançou The Stonewall Celebration Concert e Equilíbrio Distante.
O primeiro, cantado em inglês, foi homenagem ao grande amor de sua vida que morreu de overdose. Renato faz então seu disco mais militante ao som o orgulho de ser gay, ao som de covers da Broadway e Madonna. Stonewall é o nome de um bar nova-iorquino onde, num célebre acontecimento em 69, gays se rebelaram contra a ação política. Equilíbrio Distante traz Renato interpretando canções de música italiana, uma das manias recentes do cantor.
Renato era HIV positivo desde 1990, mas nunca assumiu publicamente a doença. Desde a época de "Descobrimento do Brasil", Renato andava recluso e arredio e evitava a imprensa. As suspeitas se comprovaram em 11 de outubro de 1996 com sua morte por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária - consequências da AIDS -, pesando só 45 quilos.

Os 15 anos da morte de Renato Russo, o vocalista do Legião Urbana



domingo, 13 de novembro de 2011

Filho de Renato Russo está no camping do SWU 2011 e fala ao G1


Giuliano, 22, chegou na tarde desta sexta acompanhado de seis amigos.

Veja vídeo com entrevista exclusiva concedida durante o evento.


Giuliano Manfredini, de 22 anos, é produtor musical e diz que, por isso, é frequentador assíduo de eventos como o SWU. Filho único de Renato Russo, o líder da Legião Urbana morto em 1996, ele chegou a Paulínia acompanhado de seis amigos. A mais jovem da turma é Bruna Morale, de 18 anos. Está acompanhada do pai, Franco Morale, de 39 anos, o mais velho dentre eles.
Embora diga no vídeo ao lado que cresceu no backstage, Giuliano jamais assistiu a um show da banda do pai. Ao SWU, veio para ver, por exemplo, Faith No More e Sonic Youth. Passou a madrugada desta sexta na estrada. “Eu vim pra curtir meus amigos, minha namorada. E vim também pra aprender, sou jovem, tenho um longo caminho.”
Ele fala “aprender” porque, há alguns anos, trabalha profissionalmente como produtor de shows, festivais. Tem uma empresa que atua no ramo e gosta do que faz: prefere isso a atuar como músico, atividade que já exerceu. “Aquele estresse [da organização] é viciante. Mas eu não queria me envolver com o caráter mercantilista. Isso é por influência do meu pai, porque ele fazia a arte pela arte.”
Filho do Renato Russo e turma (Foto: Cauê Muraro /  G1)Parte da turma de Giuliano Manfredini, que veio de Brasília e Goiânia  (Foto: Cauê Muraro / G1)
Era a primeira vez, durante a conversa, que ele falava de Renato Russo. “Ele sabia separar o lado profissional – de business, de gravadora –, porque isso é profissão também. Mas ele sabia que a profissão dele não era convencional, porque fala do ser humano. E, quando você fala do ser humano, tem que ser natural.”
Giuliano conta que não há qualquer artista, na escalação SWU 2011, que faria seu pai se deslocar até Paulínia. “Mas ele teria ido ao SWU de 2010 [em Itu], para ver o Rage [Against the Machine]”.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Documentário traz depoimentos de Renato Russo


Rock BrasíliaAcervo Vladimir Carvalho
Documentário traz depoimentos de Renato Russo e outros músicos e familiares que foram importantes para o movimento


Rock Brasília - Era de Ouro - Com imagens de arquivo, filmadas por Vladimir Carvalho desde o final dos anos 1980, o documentário encerra uma trilogia sobre a construção cultural e ideológica da capital federal.

Traz as bandas de Brasília – Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude – que fizeram a trajetória clássica do herói: vencer empecilhos e ir atrás de um grande desafio que era a conquista de um lugar na cultura nacional.

Eles fazem parte da primeira geração de filhos de intelectuais, diplomatas e políticos que começou a surgir nos anos 1980.

Homenagem a Renato

"Os bons morrem cedo demais assim parece ser quando me lembro de você que acabou indo embora cedo demais, nunca falei como você falava mas sempre vi bem oque você dizia, mas se o mundo é mesmo parecido com oque vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito, e você queria voar, mas como chegar as nuvens com os pés no chão? oque sinto muitas vezes faz sentido e outras vezes não descubro o motivo, que me explica porque é que não consigo ver sentido no que sinto, oque procuro, oque desejo e oque faz parte do meu mundo, viajamos sete léguas entre abismos e florestas, não digo nada, espero o vendaval passar, por enquanto eu não sei oque você me falou me fez rir e pensar, porque estou tão peocupado por estar tão preocupado assim? Já pensei de tudo, do tudo do tudo e do tudo do nada, e quando vejo o mar existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem, já que você não está aqui, oque posso fazer é cuidar mas de mim, quero ser feliz ao menos. Já me acostumei com a tua voz e desde que você partiu sinto falta de mim mesmo, meu coração, é tão tosco e tão pobre, não sabe ainda os caminhos do mundo, e como você dizia:- ter esperança é hipocrisia e a felicidade é uma mentira e a mentiraé a nossa salvação. Eu continuo aqui com meus amigos, com meu trabalho e me lembro de você em dias assim, um dia de sol um dia de chuva e oque sinto não sei dizer, mas quando você se foi eu aprendi a perdoar e a pedir perdão, e quando o sol bate na janela do meu quarto e me lembro de todos os "fracos" pois é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, a humanidade é desumana mas ainda tenho chance, aliás o sol nasce pra todos só não sabe quem não quer, são as pequenas coisas que valem mais, eu quase morri a menos de 32 horas atrás, hoje eu fico na varanda, um dia imperfeito e a chuva caindo, mas oque pensar da vida e daqueles que sabemos que amamos? Lembro das tardes em que passamos juntos, não é sempre mais eu sei que você está bem agora só que este ano o verão acabou cedo demais, mas só por hoje eu não quero mas chorar, só por hoje eu espero conseguir aceitar oque passou e oque vir, Só por hoje vou me lembrar em ser feliz, só por hoje eu não vou me destruir, posso até ficar triste se eu quiser, mas só por hoje; isso ao menos eu aprendi, por Deus nunca me vi tão só, E NOSSA ESTÓRIA NÃO ESTARÁ PELO AVESSO ASSIM SEM FINAL FELIZ, TEREMOS COISAS BONITAS PRA CONTAR, EU NÃO QUERO ACREDITAR, VAMOS VIVER, TEMOS MUITO AINDA POR FAZER, NÃO OLHE PRA TRÁS APENAS COMEÇAMOS O MUNDO COMEÇA AGORA, EU NÃO SEI OQUE DIZER E OQUE SENTIR , AONDE ESTÁ VOCÊ ALÉM DE AQUI DENTRO DE MIM, EU SEI QUE FAÇO ISSO PRA ESQUECER EU DEIXO A ONDA ME ACERTAR E O VENTO VAI LEVANDO TUDO EMBORA, MAS TUDO PASSA TUDO PASSARÁ E QUEM SABE UM DIA EU ESCREVO UMA CANÇÃO P/ VOCÊ..."

Renato Russo

Renato Manfredini Júnior, nome artístico: Renato Russo (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 – Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996) foi um cantor e compositor brasileiro.
[1] Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico (1978), que durou quatro anos e terminou devido às constantes brigas que havia entre ele e o baterista Fê Lemos.[2] Russo herdou desta banda uma forte influência punk que influenciou toda a sua carreira. Nessa mesma época, aos 18 anos, assumiu para sua mãe que era bissexual e, em 1988, publicamente.[1]
Em 1982, integrou a banda Legião Urbana, desenvolvendo um estilo mais próximo ao pop e ao rock do que ao punk. Russo permaneceu na Legião Urbana até sua morte, em 11 de outubro de 1996.
Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Laura Pausini, Biquini Cavadão, 14 Bis ePlebe Rude.


Infância
Biografia

Até os seis anos de idade, Russo sempre viveu no Rio de Janeiro junto com sua família. Começou a estudar cedo no Colégio Olavo Bilac, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. Nessa época teria escrito uma bela redação chamada "Casa velha, em ruínas…", que inclusive está disponível na íntegra. Em 1967, mudou-se com sua família para Nova Iorque pois seu pai, funcionário do Banco do Brasil, fora transferido para agência do banco em Nova Iorque, mais especificamente para Forest Hills, no distrito do Queens. Foi quando Russo foi introduzido a língua e a cultura norte-americanas. Aos nove anos, em 1969, Russo e sua família voltam para o Brasil, indo morar na casa de seu tio Sávio numa casa na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

Adolescência

Em 1973 a família trocou o Rio de Janeiro por Brasília, passando a morar na Asa Sul. Em 1975, aos quinze anos, Renato começou a atravessar uma das fases mais difíceis e curiosas de sua vida quando fora diagnosticado como portador da epifisiólise, uma doença óssea. Ao saber do resultado, os médicos submeteram-no a uma cirurgia para implantação de três pinos de platinana bacia. Renato sofreu duramente a enfermidade, tendo que ficar seis meses na cama, quase sem movimentos. Durante o período de tratamento Renato teria se dedicado quase que integralmente a ouvir música, iniciando sua extensa coleção de discos dos mais variados estilos. Em entrevista, Russo teria alegado que este período fora determinante na formação de sua musicalidade.

Carreira

Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico, ao lado dos irmãos Felipe Lemos (Fê) (bateria) e Flávio Lemos (baixo elétrico),e do sul-africano André Pretorius (guitarra). O grupo durou quatro anos, de 1978 a 1982, terminando por brigas entre Fê e Renato. O Aborto Elétrico foi a semente que deu origem à Legião Urbana e ao Capital Inicial (formado por Fê e Flávio, junto ao guitarrista Loro Jones e ao vocalista Dinho Ouro-Preto).
Após o fim do Aborto Elétrico, Renato começa a compor e se apresentar sozinho, tornando-se o Trovador Solitário. A fase solo durou poucos meses, até que o cantor se juntou a Marcelo Bonfá (baterista do grupo Dado e o Reino Animal), Eduardo Paraná (guitarrista, conhecido como Kadu Lambach) e Paulo Guimarães (tecladista, conhecido como Paulo Paulista), formando a Legião Urbana, tendo Renato como vocalista e baixista. Suas principais influencias eram as bandas de post punk que surgiram na epoca, especificamente, Renato Russo se espelhava no trabalho de Robert Smith, vocalista do The Cure e especialmente Morrissey que era vocalista da banda The Smiths
Após os primeiros shows, Eduardo Paraná e Paulo Paulista saem da Legião. A vaga de guitarrista é assumida por Ico-Ouro Preto, irmão de Dinho Ouro-Preto, que fica até o início de 1983. Seu lugar é assumido definitivamente por Dado Villa-Lobos (que criou a banda Dado e o Reino Animal com Marcelo Bonfá, Dinho Ouro Preto, Loro Jones e o tecladista Pedro Thompson). A entrada de Dado consagrou a formação clássica da banda.
À frente da Legião, que contou com o baixista Renato Rocha entre 1984 e 1989, Renato Russo atingiu o auge de sua carreira como músico, sendo reconhecido como o mais importante compositor do rock brasileiro, criando uma relação com os fãs que chegava a ser messiânica (alguns adoravam o cantor como se fosse um deus). Os mesmos fãs chegavam a fazer um trocadilho com o nome da banda: Religião Urbana/Legião Urbana. Renato desconsiderava este trocadilho e sempre negou ser messiânico.

Morte

Renato Russo morreu no dia 11 de outubro de 1996, as 01h15 da Madrugada, pesando apenas 45 quilos, em consequência de complicações causadas pela Aids (era soropositivo desde 1989, mas jamais revelou publicamente sua doença).[1] Deixou um filho, Giuliano Manfredini, à época com apenas 7 anos de idade. O corpo de Russo foi cremado e suas cinzas lançadas sobre o jardim do sítio de Roberto Burle Marx.
No dia 22 de outubro de 1996, onze dias após a morte do cantor, Dado e Bonfá, ao lado do empresário Rafael Borges, anunciaram o fim das atividades do grupo. Estima-se que a banda tenha vendido cerca de 20 milhões de discos no país durante a vida de Renato. Mais de uma década após sua morte, a banda ainda apresenta vendagens expressivas de seus discos pelo mundo.[carece de fontes]

Livros

Durante sua carreira teve quatro livros publicados e, após sua morte, outros quatro livros foram lançados[Em junho de 2009, é lançada a biografia "Renato Russo: O filho da Revolução", do jornalista Carlos Marcelo Carvalho. A obra é contextualizada desde o período de infância de Renato, passando pela sua juventude — com acontecimentos políticos históricos da época forte de opressão da Ditadura Militar como pano de fundo — e culminando com o seu amadurecimento como homem, poeta, artista e músico. Teve também um livro que após a morte de Renato foi psicografado, chama-se "Sempre há uma luz...um roqueiro do Além".
  • Em 2001, foi publicado o livro Sempre Há uma Luz, pela editora DPL, psicografado por Sérgio Luís, o qual consiste em um suposto relato de Renato Russo sobre sua "passagem para o plano espiritual".
  • A Rede Globo contou a história de Renato Russo no especial "Por Toda a Minha Vida", apresentado pela atriz Fernanda Lima.
  • Em novembro 2009, Renato Russo pela primeira vez no cinema , 42° cinema no Festival de cinema brasileiro em Brasília . “ Rock Solidário – O Filme” Curta metragem dirigido por Rogério Águas . No filme tem participação do Murilo Lima, Loro Jones, Carmem Mandredini, Giuliano Manfredini e Sepultura de Brasília, produzido por Gilsa Camilo e Cleuberth Choi. O filme alimentou em uma semana mais de 700 mil visitas a pagina dos Rockeiros ( www.themultiverse.com.br) , publicado no Correio Braziliense em Brasília.
  • No dia 27 de março de 2010, o cantor faria 50 anos. A MTV fez homenagens a ele, apresentando uma entrevista onde Zeca Camargo fez várias perguntas a Renato Russo.
  • Em junho de 2011 iniciaram as filmagens do longa-metragem Somos Tão Jovens, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura. Esta cinebiografia musical terá como palco de fundo a cidade de Brasília nos anos de 1976 a 1982, e retratará a adolescência do cantor que sonhava em se torna o líder de uma grande banda de rock.
  • Em 2011 começou a adaptação da música "Faroeste Caboclo" para o cinema. A música conta a saga de João do Santo Cristo, que deixa Salvador em busca de uma vida melhor e vai para Brasília, onde acaba se envolvendo no tráfico de drogas. Nesse contexto, ele conhece Maria Lúcia e se apaixona. Mas o amor deles é ameaçado por sua disputa com Jeremias, um outro traficante da área. Os atores Fabrício Boliveira e Isis Valverde serão os protagonistas. A música virou roteiro de cinema a partir da adaptação de Paulo Lins, autor do livro "Cidade de Deus". O roteirista Marcos Bernstein também trabalhou na adaptação. A previsão é de que o longa chegue aos cinemas no segundo semestre de 2011. A canção "Faroeste caboclo" foi composta em 1979, na fase da carreira de Renato Russo conhecida como "trovador solitário", mas acabou fazendo sucesso ao ser incluída no disco "Que país é este", lançado pelo Legião Urbana de 1987.

Referências

  1. ↑ a b c Renato Russo do inferno ao céu. Terra. Página visitada em 9-8-2010.
  2.  Renato Russo. www.cafemusic.com.br. Página visitada em 09-08-2010.
  3.  sobre ele, sendo um deles "Conversações com Renato Russo", que contém trechos de entrevistas mostrando o seu ponto de vista sobre o rock, a bissexualidade (incluindo a sua própria), o mundo, as drogas e a política.Do ponto de vista da análise técnica, isto é, da crítica literária (acadêmica), foi lançado o livro: "Depois do Fim — vida, amor e morte nas canções da Legião Urbana", de Angélica Castilho e Erica Schlude (ambas da UERJ). Vale ser citado como bibliografia referencial os livros "O Trovador Solitário" e "BRock — O rock brasileiro nos anos oitenta", ambos de Arthur Dapieve.

Rock In Rio 2011 Tributo a Legião Urbana País e Filhos

video

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Poemas de Renato Russo

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar nos sonhos que se têem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vais ser alguém...


Quando tudo nos parece dar errado
Acontecem coisas boas
Que não teriam acontecido
Se tudo tivesse dado certo.


Enquanto a vida vai e vem
você procura achar alguém
que um dia possa lhe dizer:
Quero ficar só com você..



Renato mito

Renato Manfredini Junior gostava de fantasiar que fazia parte de uma banda de rock imaginária chamada 47th Street Band, na pele do fictício Eric Russel. De quebra, quis homenagear o iluminista suíço Jean-Jacques Rousseau, o filósofo inglês Bertrand Russel e o pintor francês Henri Rousseau. Tornou-se Renato Russo. Despontou para o sucesso em Brasília. Professor de inglês, criou em 1978 o Aborto Elétrico, grupo influenciado pelo punk rock inglês. Em 1982, saiu do Aborto e montou a Legião Urbana. O resto é história, sedimentada em uma carreira de sucesso, com letras de músicas que atraíam e atraem até hoje uma multidão de fãs. Seus discos solos, entretanto, não apresentaram composições próprias, mas standards americanos e italianos, em que confirmava sua voz possante (muito comparada à de Jerry Adriani). A aposta em um repertório alheio foi uma tentativa de não misturar sua carreira solo com a da Legião. Em 1994, o título de seu primeiro disco solo — The Stonewal Celebration Concert — foi uma homenagem ao ativismo gay americano, que comemorava 25 anos. Além disso, o trabalho teve 50% da vendagem revertida para os projetos sociais da Ação da Cidadania contra a Miséria e a Fome. O repertório do disco era composto de música popular americana acompanhada por violão e piano, cantada por Renato em um inglês perfeito, aprendido dos sete aos dez anos, quando morou com os pais em Nova York. O disco vendeu 250 mil cópias. No ano seguinte, foi a vez da língua italiana, em Equilíbrio Distante, homenagem às raízes de sua família. Em 1997, o CD atingiu um milhão de cópias vendidas. O disco foi considerado brega, mas popularizou Renato para além do reduto rock e abriu espaço para a redescoberta da música italiana no Brasil. Um ano depois de sua morte foi lançado o póstumo O Último Solo, com sobras das gravações de Stonewall e Equilíbrio. São oito músicas, quatro de cada disco, produzidas pelo mesmo Carlos Trilha dos trabalhos solos, com o acréscimo de orquestra gravada no estúdio Abbey Road, em Londres. E uma faixa interativa com o clipe de Strani Amore e trechos em áudio de uma entrevista do cantor. Renato morreu vítima de broncopneumonia, septicemia e infecção urinária, decorrentes da Aids, depois de seis anos como portador do vírus HIV. Depois de sua morte, não faltaram homenagens de fãs e artistas: discos, livros, clones, shows. Como todo roqueiro que morre cedo, Renato Russo virou mito.

Renato Russo: há 15 anos a música brasileira perdia o poeta


Durante a década de 1980, a cultura brasileira foi tomada de assalto por um fenômeno cultural na música jovem, também conhecido como pop rock. Brasília, a capital da nação, serviu de ponto de encontro e de partida para alguns dos grandes nomes da indústria do pop rock brasileiro.

Em meio àquela imensa quantidade de grupos e artistas surgidos nos anos 80, os roqueiros de Brasília, influenciados pelos ecos do movimento punk, tomaram a cena de assalto e colocaram a música feita no Planalto Central definitivamente na mente e no coração do restante do país. Dentre as várias bandas que surgiram, ou tiveram seu começo na capital do país, existiu uma que, categoricamente, pertence ao grupo das cinco mais adoradas no Brasil em todos os tempos:Legião urbana. Porém, a banda provavelmente não teria existido sem a liderança de Renato Russo.
Aborto Elétrico: Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos
Renato Manfredini Júnior nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 27 de março de 1960. Se mudou para Brasília em 1973 e em 1978 começou a dar os primeiros passos de sua incursão no universo música por meio da banda Aborto Elétrico, que teve em sua formação os irmãos (que anos mais tarde formaram o Capital inicial) Fê e Flávio Lemos. O ano era 1979 e o grupo seguia os ecos do movimento Punk, surgido na Inglaterra dois anos antes. Em razão de divergências internas e incompatibilidade musical, a banda encerrou suas atividades, oficialmente, em 1982.  Russo passa, então, a se apresentar sob a alcunha de  "O Trovador Solitário", carreira esta que não foi adiante. Ainda naquele ano, surge a Legião Urbana.

Desde o início do projeto, Renato não apresentava tendências de que iria deixar de acreditar no próprio sucesso.  Sua personalidade geniosa e articulada nunca negou os indícios de logo cedo estava certo de seu desejo por trilhar carreira musical. O posicionamento visionário do artista pode ser confirmado por meio de um diálogo durante o momento que marcou a saída de um dos músicos que compunham a Legião Urbana. "Anota aí, Paraná. A gente vai seguir com a banda. Quando você conseguir comprar um carro velho com o dinheiro que ganha com esse jazz rock, a gente já vai ter vendido um milhão de cópias", disse ele. As previsões estavam corretas. Pouco depois, a banda acertou sua formação e foi ao encontro de seu lugar entre os nomes mais populares e respeitados da música nacional.
Renato dialogava com a juventude por meio de músicas
A grandeza da banda confunde-se com o caráter icônico em torno da imagem de Renato Russo, fundador e líder do grupo. Russo exerceu o verdadeiro papel de porta-voz para com a juventude de toda uma geração. Em razão de uma habilidade incomum em lidar com temas juvenis, Renato Russo, através de sua obra, será eternamente um poeta, um guru e um mentor intelectual para a juventude brasileira que cultiva o apreço pelo pop rock feito no país. Através de poesia ácida, ele redigiu versos que chamam a atenção para o posicionamento do jovem diante de sua vivência. Um traço notável para que a Legião Urbana adquirisse a condição de sucesso está no estilo peculiar de construir as letras das canções. Renato, principal letrista do grupo, tinha por hábito escrever a partir das histórias que vivenciava ou de experiência de vida alheia. Seguindo essa lógica, é comum ao ouvinte ter a sensação de que conhece a situação narrada através do trabalho do artista.

Mesmo não assumindo um estereotipo de rock star, Renato viveu intensamente no epicentro do pentragrama que forma a equação básica para construir-se o rock and roll: talento, sucesso, sexo, drogas e confusões. Logo, é  natural perceber que as letras das canções escritas por ele, há mais de 20 anos, ainda soam atuais para os jovens de hoje e, provavelmente, irão se perpetuar pelas demais gerações que surgirão.
O poeta se foi, mas deixou um legado eterno
A Legião Urbana ficou na ativa por 14 anos, lançou um total de 13 discos e vendeu mais de 20 milhões de cópias. O trabalho solo de Renato rendeu quatro álbuns, sendo que dois deles foram lançados de maneira póstuma, pois, destino implacável ceifou a vida de Renato Russo em 11 de outubro de 1996. Naquele dia, complicações deccorentes da AIDS levaram a vida do roqueiro, que contava 36 anos de vida quando faleceu. Sua arte deixa como principal característica a escrita capaz de denunciar uma sociedade traiçoeira, competitiva e sem propostas para o futuro. Neste sentido, conclui-se que a obra do cantor e compositor, assim como de sua banda, a Legião Urbana, permanecerá como referência no cenário do rock nacional. Há exatos 15 anos após a sua morte, ainda é correto dizer que Renato não se enganou ao dizer que, "a verdadeira Legião Urbana são vocês".

História da Legião Urbana


No início da história da banda Legião Urbana, bem no começo, estava o punk. Como nenhum começo é absoluto (o que existia antes do começo?), o punk era um princípio, digamos assim, arbitrário. Outros começos poderiam ser válidos: não seria absurdo citar as "Sun Sessions" de Elvis ou os gritos de "Love Me" dos Beatles como pontos de partida "alternativos". Mas foi o do-it-yourself, que está na base estética/política do punk, que motivou o aparecimento de um "movimento" de rock em Brasília no final dos anos 70, do qual saiu o banda Legião Urbana.

Ser punk em Brasília não era exatamente um ato de rebeldia. Impossível ser apenas rebelde quando se conhece, de cor e salteado (como os punks brasileiros conheciam), a história dos Sex Pistols. A rebeldia já tinha sido desmistificada como mais uma estratégia de marketing necessária para o bom funcionamento da Industria Cultural. Malcom McLaren apenas tornou evidentes os mecanismos de produção de ídolos rebeldes. Depois dos Sex Pistols, a rebeldia sem causa não deveria ter nenhum futuro. O que restava era a desilusão, e a possibilidade de ti- rar proveito de uma sociedade que precisa de ilusão (incluindo ídolos rebeldes) para sobreviver.

O "no future" dos punks acabou se mostrando cheio de consequências e de diferentes futuros. A cena pop internacional passou a funcionar na base de estilhaços de novos "movimentos" (muitos deles, seguindo o exemplo da turma dos Sex Pistols, apenas produtos de releituras ou revivals de momentos anteriores da história do rock), todos com direito aos seus 15 minutos de fama e hits. No primeiro dia de 1985, data em que a Legião Urbana lançou seu primeiro disco, o punk já era uma lembrança remota, o "New Wave" já havia se tornado um passado comprometedor, Ian Curtis já tinha se suicidado há quase 5 anos e o "Hardcore" já se cansava da tentativa desesperada de levar a rebeldia do punk a sério. A música da Legião Urbana só podia refletir esse fragmentado estado criativo, onde não existe mais qualquer cartilha a ser seguida e onde toda nova banda está condenada a reinventar, seguindo o exemplo dos Sex Pistols, sua própria história do pop.

"Será", a primeira canção do primeiro disco da Legião Urbana começa com os seguintes versos: "Tire suas mãos de mim / Eu não pertenço a você". Parecia uma declaração de princípios punks, autoritária e arrogante, onde o grito de independência pressupõe o corte de todos os laços (afetivos, de qualquer tipo de pertencimento) com o mundo ao redor e com as pessoas que vivem nesse mundo. Mas "Será" não é, nem de longe, uma re-edi ção irônica de "Sub-Mission" dos Sex Pistols. "Será" é o início do diálogo (com um "você" ambíguo, em constante metamorfose, que re-aparecerá em inúmeras outras músicas da Legião Urbana) e a primeira tentativa de construção de um outro mundo regído por princípios éticos pós-punks, que levem em conta (e ao extremo) a ausência de futuro e a descrença radical sobre o que passou.

"Será" é antes de tudo uma canção romântica (não foi por acaso que também fez sucesso na voz de Simone e no rítmo melodramático do pagode-suingue), tão romântico quanto a escrita do mais desesperado poeta romântico alemão, que também vivia o fim de um mundo. O sentimento predominante em "Será", e nas demais faixas do primeiro disco da Legião Urbana, não é a revolta, mas sim o desamparo ("Quem é que vai nos proteger?") e a necessidade urgente de criação de uma nova comunidade, sem depender de ninguém, já que ninguém nos protege.

Essa proposta (assim mesmo desesperada e desamparada) utópica da Legião já foi interpretada/acusada de messianismo. Pode ser o caso, mas trata- se certamente de um messianismo paradoxal ou radical (mesmo em seus momentos mais cristãos), um messianismo que não transmite a "boa pala- vra", mas sim o eterno retorno do "no future" como a nova ética, uma ética sempre descrente de seus princípios, da possibilidade de melhorar o mundo, ou da existência de alguma solução para qualquer problema. Solução? Em "Teorema" a própria idéia de solução é colocada de forma suspensa: "Não sabemos se isso é problema / Ou se é a solução". Tudo é (repito: por princípio) motivo para dúvida: "Se eu soubesse lhe dizer qual é a sua tribo / Também saberia qual é a minha" (Petróleo do Futuro); "Vivemos num planeta perdido como nós / Quem sabe ainda estamos a salvo" (Perdido no Espaço); "Qual é a diferença?" (Baader-Meinhof Blues); "Quem é o inimigo?" (Soldados); "Eu não sei mais o que / Eu sinto por você" (Ainda é Cedo).

O estar perdido (em qualquer espaço, e não apenas no Brasil), à deriva, também se reflete numa errância por vários estilos musicais pós-punk. Legião Urbana 1 é quase um álbum colcha-de-retalhos onde convivem vários ecos da fragmentação pós-punk. "A Dança" lembra o funk-punk do Gang of Four, "Ainda É Cedo" tem a melancolia do "Joy Division" e do primeiro "U2". A Legião Urbana gravou até um reggae e um "punk-básico" (mesmo na letra) como "Geração Coca-Cola" (composição do tempo do "Aborto Elétrico", primeiro grupo "punk" de Brasília, primeiro grupo musical de Renato Russo). Não era possível perceber, a partir desse disco de estréia, quais seriam os próximos passos musicais da banda.

Muitos pontos de vista musicais convivem em cada faixa. Muitas vozes conflitantes cantam cada letra. A Legião Urbana inaugura nesse disco todos os procedimentos poéticos que serão desenvolvidos nos próximos lançamentos. Muitas vezes quem canta é um personagem, que pode citar outros personagens. Outras vezes são contadas histórias sem que se saiba quem está no comando da narrativa. Não existe uma visão de mundo privilegiada, não existe ideologia unida, não existe futuro para quem não acredita em futuro.

Mas nada disso fica totalmente claro. Até porque a última canção desse disco coloca tudo, mais uma vez, de forma suspensa, tudo provisório, tudo parece estar aqui apenas "Por Enquanto". Não é só pela predominância dos sintetizadores (e não das guitarras elétricas, como nas outras músicas) que "Por Enquanto" é, de certa forma, desconsertante. O disco termina com uma declaração no mínimo inesperada: "Estamos indo de volta pra casa". Algo aconteceu entre o "tire as suas mãos de mim" e o "estamos indo de volta pra casa". Então existe uma casa, um local de repouso, uma utopia tranquila? Que casa é essa, onde ela fica, quem está indo de volta? Esta casa é o "nosso" futuro? Respostas nos próximos discos? Haverá próximos discos se encontrarmos a casa?

"Dois", o segundo disco da Legião Urbana, lançado em julho de 1986, não traz respostas óbvias. E as perguntas são "complexificadas". O disco começa com uma colagem sonora onde se escuta, em meio a outros ruídos e outras músicas, o seguinte trecho de "Será": "Brigar pra quê / Se é sem querer". Mas parece que alguma coisa mudou, porque as perguntas (e talvez a ausência de respostas e de um local de repouso no final da errância) não incomodam tanto, porque foi descoberta uma maneira de se conviver — pacificamente — com a perplexidade: "Ainda estou confuso / Só que agora é diferente / Estou tão tranquilo / E tão contente" ("Quase Sem Querer"). Parece que foi encontrado um antídoto contra a maldade e o erro, quase como se a resposta procurada fosse a resignação: "Nada mais vai me ferir / É que eu já me acostumei / Com a estrada errada que segui / E com a minha própria lei" (Andrea Doria).

Mas a resignação não é tudo. Em "Dois" torna-se mais clara uma outra faceta inesperada, principalmente levando em consideração sua origem punk: uma "vontade" de religião e piedade. Em Baader-Meinhof Blues, no primeiro disco, já aparece um vestígio de sentimento cristão; critica-se uma sociedade para a qual "amar ao próximo é tão demodé". Mas em "Dois" o que estava submerso em metáforas e ironias vem à tona; sua primeira faixa, logo a mais "explicitamente" sexual, tem um título bíblico: Daniel na Cova dos Leões. Em "Fábrica", logo a mais punk (coloca-se de lado a indignação de "Metrópole") e a Legião canta: "Nosso dia vai chegar" e "Quero justiça". 

Renato Russo e o tempo que não foi perdido

Ele nasceu Renato Manfredini Júnior, em 27 de março de 1960, mas se tornou famoso com um sobrenome inspirado no poeta e filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, no filósofo racionalista inglês Bertrand Russell e no pintor pós-impressionista francês Henri Rousseau. 

Assim era Renato Russo: uma salada de referências e homenagens bastante exemplar do ecletismo que marcou a vida e a obra de um sujeito que não via barreiras entre poesia e filosofia, entre arte e a própria vida.

Autor de letras complexas, muitas vezes “quilométricas”, mas inesquecíveis, e dotado de posturas irreverentes, tanto no palco quanto na vida, Renato Russo incorporou como poucos o papel de “menestrel” de um mundo onde desilusões e esperanças colidem verso após verso. Um mundo onde o desejo de liberdade e a certeza da impossibilidade de sua satisfação no sistema em que vivemos convivem em luta permanente. Uma luta que, nos versos e na voz de Renato, às vezes brotou como grito de guerra, noutras como denúncia afiada e, em outras tantas, como doloroso lamento. 

O trovador solitário
Quando estourou na mídia, juntamente com a Legião Urbana, em meados dos anos 80, Renato era uma expressão meio tresloucada das contradições que rondavam o país e o mundo naquele momento. Mas sua história tinha começado a ser escrita anos antes. Proveniente de uma família de classe média, o músico já tinha passado por uma série de experiências pessoais e artísticas que moldaram sua personalidade e criatividade: entre 7 e 10 anos, viveu em Nova York; aos 13, mudou-se para Brasília; dos 15 aos 17, conviveu com uma doença óssea que o manteve preso à cama e, conseqüentemente, aos livros e à música. 

Nesse período, apresentando-se como “Trovador Solitário”, Renato compôs futuros sucessos como “Faroeste Caboclo” e montou a banda Aborto Elétrico (1978-1982), de onde surgiram bandas como Capital Inicial e a Legião. 

Os quatro primeiros discos da Legião não só são marcas registradas daquele período, como também explicam o fenômeno. 

Poucos artistas conseguiram, de forma tão ampla e complexa, levar para a arte os sentimentos controversos que abalaram o Brasil durante aqueles anos. Afinal, havíamos acabado de derrubar uma ditadura, mas suas marcas e mazelas continuavam por todos os cantos da sociedade; vivíamos a esperança da construção de um novo país, confrontados diariamente com as mais nefastas negociatas; desejávamos abraçar a liberdade sexual e, repentinamente, nos víamos cercados pelo medo da Aids. 

Mudaram as estações e nada mudou
Quando o álbum “Legião Urbana” foi lançado, em 1985, muito daquilo que os jovens (e, inclusive, não tão jovens, que haviam militado no decorrer dos anos 70 e 80) da época tinham engasgado em suas gargantas ou sufocado em seus peitos ganhou voz e vida nos versos de músicas como “Geração Coca Cola”, “Será”, “Ainda é cedo”, “Por enquanto” ou “Baader-Meinhof Blues”.

Algo semelhante aconteceu em “Dois”, lançado em 1986. Para os mais politizados, não deixava de ser emocionante ouvir, logo na primeira faixa do vinil, um trecho de “Será” (Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?) mesclado com os ruídos de um rádio tocando “A Internacional”.

Também causaram comoção a primeira menção feita por Renato à homossexualidade (em “Daniel na Cova dos Leões”), a tresloucada história de amor de “Eduardo e Mônica” e a quase desesperada “Tempo Perdido”.

Do mesmo período, vale lembrar da coletânea “Que País É Este”. Lançado em 1987, o LP reunia músicas desde 1978 (sete delas do antigo Aborto Elétrico), duas que entraram definitivamente para a história da música brasileira: “Faroeste caboclo” e a mirabolante e quilométrica história de João de Santo Cristo, contada num estilo que o próprio Renato definia como uma mescla de Raul Seixas e cordel; e “Que país é este”, transformada, desde sempre, em hino contra as muitas maracutaias feitas pelos mandatários do poder desde então.

Em 1989, o lançamento de “As Quatro Estações” foi marcado, além dos mega-sucessos, pelo fato de Renato levar multidões a cantar, juntamente com ele, que gostava de “Meninos e Meninas”, música que o cantor usou para assumir sua própria homossexualidade. Sobre isso ele declarou: “Eu estava precisando me assumir há muito tempo (...) mas fica aquela coisa, filho de católico, ‘você é doente’, etc. 
No meio do caminho, eu já estava pensando: pô, eu sou um cara tão legal, eu não posso ser doente. (...) Eu sempre gostei de meninos - eu gosto de meninas também -, mas eu gosto de meninos. Como é que não é natural? Se eu sou assim desde os quatro anos, então sou doente, pervertido... ah, não!”. 

Vitimado pelas contradições de seu tempo, pouco depois, em 1990, Renato Russo declarou ser portador do vírus HIV e, como muita gente naquela época, atravessou um verdadeiro martírio público, motivado pelo preconceito, pela falta de medicamentos e pelo isolamento, até sua morte, em 11 de outubro de 1996. 

Ainda com a Legião, Renato lançou “V”, em 1991. Nele destaca-se “Metal contra as nuvens”, belíssi-ma música de 11 minutos e meio que é um desabafo frente aos descalabros trazidos por Fernando Collor. 

Outros álbuns são “Música para acampamentos” (1992, coletânea ao vivo), “O descobrimento do Brasil” (1993) e “A tempestade ou o livro dos dias” (1996). Nesse período a relação da banda não foi exatamente das mais calmas, muito por conta, inclusive, da difícil personalidade do próprio Renato e de suas incursões em polêmicos discos solo, como “Equilíbrio Distante” (1995) e, particularmente, “The Stonewall Celebration Con-cert” (1994). Este é uma coletânea de músicas feitas ou celebradas por gays, cujo título faz referência à rebelião no bar Stonewall, que deu origem ao movimento GLBT em 1969. 

Será que foi tudo isso em vão?
Dez anos depois de sua morte, Renato continua também emblemático de uma das facetas mais revoltantes do “contraditório” mundo sobre o qual ele desejou cantar e falar: a apropriação mercadológica de tudo e qualquer coisa. 

Em nome da satisfação permanente de uma legião de fãs, desde 1996 as produtoras têm se desdobrado para retroalimentar o mito e o mercado. Não faltou nada: coletâneas especiais, versões acústicas, registros inéditos de shows, letras perdidas, regravações do Aborto Elétrico e tudo mais que se possa imaginar, não faltando o apelo sensacionalista e a mediocrização da obra de Renato Russo, através de intérpretes para lá de questionáveis. 

Que o mercado atue dessa forma, contudo, não é o mais importante. Afinal, este é o seu papel e é contra isso que, também, lutamos. 

Dez anos depois, o que realmente importa ao lembrarmos de Renato Russo é o fato de ele ter conseguido embalar diferentes gerações de jovens que, com suas letras, conseguiram dar voz a suas próprias angústias, cantar seus medos, gritar por seus desejos, verbalizar suas verdades, versar sobre sua vontade de mudar o mundo, chorar por seus amores e rir com a certeza de que nada foi em vão. 


Em breve, nas telas
Há vários projetos cinematográficos sobre Renato e sua vida. 
O primeiro deles deve ser lançado em 2007. Dirigido por Antonio Carlos da
Fontoura, o filme chamava-se “Religião Urbana” e centra-se na vida do
compositor, em Brasília, entre os 18 e 23 anos. Já o estreante René 
Sampaio tem um projeto tanto tentador quanto difícil, transformar em filme os 159 versos (e nove minutos) de “Faroeste Caboclo”. Outro projeto, este de Denise Bandeira, também envolve uma música do cantor, que, certamente, daria uma bela história: Eduardo e Mônica.

Renato Russo Do inferno ao céu

O cantor e compositor Renato Russo sempre surpreendeu. Aos 18 anos, fez a mãe empalidecer ao revelar que era homossexual. “Mãe, não vou casar com a Ana Paula, porque acho os homens interessantes”, admitiu ele, referindo-se à então namorada, uma fotógrafa, filha de um almirante. “Meu chão foi lá embaixo”, lembra hoje a professora aposentada Maria do Carmo Manfredini, 62 anos. “Parei um minuto para rezar: Meus Deus, o que faço agora?” Dona Carminha, como é conhecida, então respondeu a Russo, angustiado com o silêncio da mãe: “Está bem, filho, mas só não me traga homem para dentro de casa”.
Renato Russo surpreendeu os pais, amigos, fãs e a música brasileira não apenas enquanto viveu. Morto há três anos e meio, o líder da banda Legião Urbana permanece aclamado como mito do rock nacional. Na segunda-feira 27, faria 40 anos. Mesmo sem existir mais, a Legião é o grupo de rock que mais vende discos. Este mês, seu CD Acústico MTV, lançado em outubro de 1999, com um milhão de cópias, está em segundo lugar entre os mais vendidos – perde para Sandy & Júnior, em São Paulo, e Roberto Carlos, no Rio. De 1995 até agora, a Legião vendeu 10,2 milhões de cópias e os três discos-solo de Russo, 2 milhões. Renato Russo ferve em 140 sites da internet sobre a Legião.“Garotos de 13 anos o estão conhecendo e virando fãs fervorosos”, diz Simone Assad, jornalista e fã que coordenou, de Nova Friburgo, no interior do Estado do Rio, a edição do livro Renato Russo de A a Z, lançado em janeiro pela Editora Letra Livre, um dicionário com frases do cantor, com 453 verbetes. O jornalista carioca Arthur Dapieve prepara para setembro uma biografia. Seus pais, o funcionário aposentado do Banco do Brasil Renato Manfredini, 75 anos, e Maria do Carmo, lançarão um livro com os rascunhos de quando o filho compunha.
Boa parte dos manuscritos continuarão inéditos, se depender do casal Manfredini, responsável pelo espólio do filho. No apartamento do artista em Ipanema, no Rio, os pais guardam pequenas peças de teatro e letras inéditas. Os diários que escreveu até o fim da vida, em inglês, são intocados. “Enquanto vivermos e tivermos controle sobre as coisas de Júnior (Russo era Renato Manfredini Júnior), ninguém mexe nos diários”, diz a mãe. O casal prevê problemas com a biografia escrita por Dapieve.
“Não autorizaremos que o livro trate de coisas íntimas da vida de Júnior”, avisa Carminha. Dapieve acredita que superará a resistência dos pais. Segundo o jornalista, a carência de Russo levou-o a se entregar ao álcool e às drogas. “Ele tomava Cointreau em copo de requeijão em um só gole”, conta.
Foto: Pedro Agilson
Antes de morrer, pediu ao pai provas de amor
“Quando namorava um rapaz chamado Lui, tentou suicídio para chamar a atenção dele.” Nos últimos meses de vida, Renato desistiu de tomar AZT. Uma amiga, que prefere não se identificar, acrescenta que, um mês antes de morrer, o roqueiro pedia a presença do pai:
“Ele queria provas do amor do pai e de que ele o aceitava como gay e alcoólatra.”
Renato Manfredini mudou-se para o Rio ao saber da doença, dois meses antes de perder o filho. “O Júnior carregava o mundo nas costas”, diz ele. Não contou à mulher o que o próprio filho não ousara revelar à mãe. Ela soube pela tevê que o filho tinha Aids, horas depois da morte de Renato Russo, em 11 de outubro de 1996. “À noite, ouvi na tevê: ‘Morreu hoje de Aids o cantor Renato Russo’. Foi um choque.
De manhã, declarei que meu filho tinha morrido de anorexia nervosa.” O respeito dos pais por sua opção sexual aproximou-o mais da família. Em 1988, ele assumiu publicamente a homossexualidade. A mãe não queria. “É para lutar contra o preconceito que vou fazer isso, mãe”, disse ele.
DEPRESSÃO No último mês de vida, Russo praticamente não comia. Só bebia água de coco. Saul Bteshe, 50 anos, seu médico por oito anos, conta que, nos primeiros meses após descobrir a doença, o artista reagiu com otimismo. “Perto de sua morte, caiu em depressão”, conta o médico, que tratava do cantor antes de ele ser infectado. Quando o cantor foi a seu consultório pela primeira vez, Bteshe desconhecia a Legião. “Ele perguntou se eu não o estava reconhecendo”, lembra Bteshe, que o acompanhou em shows na fase avançada da doença.
Russo soube que tinha Aids depois de ter namorado Robert Scott Hickmon, que o roqueiro conheceu em Nova York, em novembro de 1989. Morador de San Francisco, Scott era gay e tinha um namorado vítima da Aids. Russo e Scott viveram juntos alguns meses no Brasil, antes de o americano voltar para os Estados Unidos, no final de julho de 1990, quando usaram heroína juntos. “Foi fogo. O namorado do Scott estava em estado terminal de Aids e mesmo assim o Renato se envolveu com ele”, diz a amiga Leonice de Araújo Coimbra, a Léo, que estava com Russo em Nova York, em novembro de 1989, quando o romance começou. Em 1990, ela recebeu o músico em sua casa, em Brasília, que segurava o resultado de um exame. Chorando, abraçou forte a amiga e desabafou: “Sou HIV positivo”. Léo afirma: “Renato tinha certeza que pegou Aids do Scott. Ele foi embora e ninguém soube mais dele”. Russo nunca assumiu a Aids publicamente. Em 1992, perguntado por um jornalista, disse: “Não estou com Aids, que pergunta idiota”.