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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Renato Russo: há 15 anos a música brasileira perdia o poeta


Durante a década de 1980, a cultura brasileira foi tomada de assalto por um fenômeno cultural na música jovem, também conhecido como pop rock. Brasília, a capital da nação, serviu de ponto de encontro e de partida para alguns dos grandes nomes da indústria do pop rock brasileiro.

Em meio àquela imensa quantidade de grupos e artistas surgidos nos anos 80, os roqueiros de Brasília, influenciados pelos ecos do movimento punk, tomaram a cena de assalto e colocaram a música feita no Planalto Central definitivamente na mente e no coração do restante do país. Dentre as várias bandas que surgiram, ou tiveram seu começo na capital do país, existiu uma que, categoricamente, pertence ao grupo das cinco mais adoradas no Brasil em todos os tempos:Legião urbana. Porém, a banda provavelmente não teria existido sem a liderança de Renato Russo.
Aborto Elétrico: Renato Russo, Fê Lemos e Flávio Lemos
Renato Manfredini Júnior nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 27 de março de 1960. Se mudou para Brasília em 1973 e em 1978 começou a dar os primeiros passos de sua incursão no universo música por meio da banda Aborto Elétrico, que teve em sua formação os irmãos (que anos mais tarde formaram o Capital inicial) Fê e Flávio Lemos. O ano era 1979 e o grupo seguia os ecos do movimento Punk, surgido na Inglaterra dois anos antes. Em razão de divergências internas e incompatibilidade musical, a banda encerrou suas atividades, oficialmente, em 1982.  Russo passa, então, a se apresentar sob a alcunha de  "O Trovador Solitário", carreira esta que não foi adiante. Ainda naquele ano, surge a Legião Urbana.

Desde o início do projeto, Renato não apresentava tendências de que iria deixar de acreditar no próprio sucesso.  Sua personalidade geniosa e articulada nunca negou os indícios de logo cedo estava certo de seu desejo por trilhar carreira musical. O posicionamento visionário do artista pode ser confirmado por meio de um diálogo durante o momento que marcou a saída de um dos músicos que compunham a Legião Urbana. "Anota aí, Paraná. A gente vai seguir com a banda. Quando você conseguir comprar um carro velho com o dinheiro que ganha com esse jazz rock, a gente já vai ter vendido um milhão de cópias", disse ele. As previsões estavam corretas. Pouco depois, a banda acertou sua formação e foi ao encontro de seu lugar entre os nomes mais populares e respeitados da música nacional.
Renato dialogava com a juventude por meio de músicas
A grandeza da banda confunde-se com o caráter icônico em torno da imagem de Renato Russo, fundador e líder do grupo. Russo exerceu o verdadeiro papel de porta-voz para com a juventude de toda uma geração. Em razão de uma habilidade incomum em lidar com temas juvenis, Renato Russo, através de sua obra, será eternamente um poeta, um guru e um mentor intelectual para a juventude brasileira que cultiva o apreço pelo pop rock feito no país. Através de poesia ácida, ele redigiu versos que chamam a atenção para o posicionamento do jovem diante de sua vivência. Um traço notável para que a Legião Urbana adquirisse a condição de sucesso está no estilo peculiar de construir as letras das canções. Renato, principal letrista do grupo, tinha por hábito escrever a partir das histórias que vivenciava ou de experiência de vida alheia. Seguindo essa lógica, é comum ao ouvinte ter a sensação de que conhece a situação narrada através do trabalho do artista.

Mesmo não assumindo um estereotipo de rock star, Renato viveu intensamente no epicentro do pentragrama que forma a equação básica para construir-se o rock and roll: talento, sucesso, sexo, drogas e confusões. Logo, é  natural perceber que as letras das canções escritas por ele, há mais de 20 anos, ainda soam atuais para os jovens de hoje e, provavelmente, irão se perpetuar pelas demais gerações que surgirão.
O poeta se foi, mas deixou um legado eterno
A Legião Urbana ficou na ativa por 14 anos, lançou um total de 13 discos e vendeu mais de 20 milhões de cópias. O trabalho solo de Renato rendeu quatro álbuns, sendo que dois deles foram lançados de maneira póstuma, pois, destino implacável ceifou a vida de Renato Russo em 11 de outubro de 1996. Naquele dia, complicações deccorentes da AIDS levaram a vida do roqueiro, que contava 36 anos de vida quando faleceu. Sua arte deixa como principal característica a escrita capaz de denunciar uma sociedade traiçoeira, competitiva e sem propostas para o futuro. Neste sentido, conclui-se que a obra do cantor e compositor, assim como de sua banda, a Legião Urbana, permanecerá como referência no cenário do rock nacional. Há exatos 15 anos após a sua morte, ainda é correto dizer que Renato não se enganou ao dizer que, "a verdadeira Legião Urbana são vocês".

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